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quarta-feira, 25 de março de 2015

ABRINDO O PORTAL – PARTE 4

A CONSCIENTIZAÇÃO
Por Suzanne Lie PhD
Em 18 de março de 2015



Com essa conscientização de que esta escuridão só podia me atacar através da minha própria escuridão interior, a batalha diminuiu por um momento, apenas o suficiente para eu reunir aspectos sobre mim.
Sim, eu.
Havia mais para mim do que essa escuridão.
Havia amor, sabedoria e poder.
Lentamente minha mente começou a recuperar todas as lembranças belas de minha vida e meu coração as amou a partir da minha própria essência.

Com esse amor eu encontrei o poder e a sabedoria para também amar a escuridão.
Ela também era apenas uma parte de mim.
Mas era uma parte da qual sempre fui protegido, e também uma parte que tinha que ser explorada para eu ser um ser completo.

Com meu coração, comecei a enviar amor a todas as entidades raivosas e aterradoras que procuraram fazer uma batalha comigo.
Algumas delas se desviaram da luz e se foram amuadas como uma besta selvagem que perdera sua matança.
Outras aceitaram a luz e se elevaram para dimensões superiores.
Tal como elas se elevaram, eu também me elevei.

Finalmente eu estava no Plano Astral Superior.
Todas as fadas, gnomos e pessoinhas me deram as boas-vindas e me parabenizaram pela minha vitória.
Eles me guiaram pelos lindos campos verdes do Plano Astral Superior.
Por toda parte havia seres de beleza que usavam auras de primavera.
Eu reconheci alguns deles e encontrei alguns que eu não conhecia.

Eu continuei para o Plano Mental.
Eu tive cuidado de vigiar todo pensamento e emoção, sabendo que eles poderiam instantaneamente se manifestar na minha frente.
Finalmente eu me encontrei no portal para o Plano Causal.
Todas as minhas vidas no Planeta Terra correram para mim para me lembrar de que toda energia emitida era energia que retornava.

Então eu viajei para o Plano Espiritual e vi o momento de minha individualização da Criação.
Eu abracei minha Mônada, a parte de mim que é eternamente uma centelha da Criação.
Então entrei no grande vazio.
Tudo era totalmente negro.
Eu procurei pelo corredor para a quinta dimensão e finalmente o encontrei.

Quando eu entrei no corredor, eu o senti girando ao meu redor.
Eu vi a face do Guardião do Limiar da Quinta, e deitei na grama verde e alta.
Eu descobri que eu precisava descansar ali dentro do “não-tempo” e “não-espaço” para me recompor para o resto da jornada.
Por que eu estava cansado?
Seria porque pela primeira vez eu estava fazendo sozinho essa jornada?
Seria por que eu me sentia tão esmagadoramente sozinho?

O Guardião sorriu de meu questionamento e me guiou para um pequeno grupo de seres que estavam fazendo a mesma jornada que eu.
Eu pude ver que alguns estavam em seus corpos noturnos, alguns estavam meditando como eu e alguns estavam entre vidas e no processo de descobrir seu eu superior.
Mas, mesmo na companhia desse grupo amoroso, minha solidão não diminuiu.

Eu me desculpei com o grupo e comecei a perambular por ali.
Perambular nos planos superiores é muito diferente de perambular no plano físico porque a realidade muda constantemente de acordo com seus pensamentos e sentimentos.
Eu “senti” um chamado por alguém feminino, e então uma mulher amorosa veio.
Ela me levou para um belo lago com uma cascata do outro lado.
Mesmo assim, minha solidão não enfraqueceu.
Na verdade, ela ficou mais intensa.

Meu guia sorriu e me sinalizou com um movimento sem palavras para eu olhar no lago.
Quando o fiz eu vi algo, ou era alguém, cintilar bem ali na minha visão.
Eu tive que segui-lo.
Sem outro pensamento, eu mergulhei no lago e nadei em busca dele.
A cascata me chamou e eu segui o chamado.

O lago não era profundo e havia camadas de pedras sobre as quais a cascata caía.
Eu descobri que podia subir naquelas pedras e caminhar direto para a cascata.
Quando a água limpou meu rosto, minha visão clareou e eu vi, na minha frente, minha chama gêmea, meu complemento divino.
Toda a minha solidão desapareceu e nós nos abraçamos e fundimos em um.

“Como pude ter esquecido você?” – eu chorei.

“Eu não esqueci você”, ela respondeu lá do fundo de nosso coração.

Eu não estava mais sozinho.
Eu estava completo.
Agora eu estava preparado para encontrar o vórtice para Arcturus.
Eu sintonizei minha consciência para a rede de Luz, que me foi mostrada muito tempo atrás pelo meu pai.
Eu senti o campo de luz reverberando ao meu redor e dentro de mim.

Quando focalizei minha atenção no meu terceiro olho, eu vi duas linhas verticais e duas linhas horizontais de luz se cruzarem e formarem um pequeno quadrado.
Em resposta a uma instrução interior, eu olhei fixamente naquele espaço.
Lentamente eu vi o vórtice bem distante.
Conforme ele se aproximou de mim e eu me aproximei dele, o giro do vórtice ficou mais forte e eu me encontrei sendo puxado para ele.

O vórtice rodopiava ao meu redor, acima de mim, abaixo de mim e através de mim.
Eu estava dentro do vórtice e ele estava dentro de mim.
Então, na distância do não-espaço eu vi o rosto de meu pai.
Imediatamente eu estava cheio da euforia da reunião.
Nós nos abraçamos eternamente no não-tempo do vórtice.

“Meu filho, estou muito orgulhoso de você. Você veio a mim por conta própria. Você se tornou uma pessoa completa. Eu reverencio sua realização”, ele disse enquanto realmente se curvava na minha frente.

Eu estava cheio de humildade e honra, pois meu pai não era alguém que facilmente cumprimentava.
Eu queria perguntar a ele sobre meu irmão e irmãs, mas ele acenou com as mãos e disse:

“Primeiro venha comigo a Arcturus. Creio que todas as suas perguntas serão respondidas lá. Meu filho, lembre-se agora de dar ignição à sua Merkaba. Entendo que você se lembra dos dois tetraedros superpostos que formam uma estrela de seis pontas multidimensionais.

Eu encontrei minha Merkaba interna e quando eu entrei nela com minha consciência, ela envolveu minha forma inteira.
Em um flash estávamos em Arcturus.

Meu irmão e irmãs estavam lá para me receber.
Nós nos abraçamos tão forte que nos tornamos um ser.
Finalmente meu pai nos chamou para segui-lo para o Templo de Iniciação.
Viajar em Arcturus é uma experiência multidimensional.
É preciso focalizar todos os pensamentos e sentimentos em um propósito unificado.

Antes, meu pai sempre nos envolveria com sua energia para nos manter no rumo certo.
Mas agora que tínhamos atingido nossa maturidade, ele deixou cada um de nós encontrarmos nosso próprio caminho.
Eu estava curioso para saber das experiências de meu irmão e irmãs, mas eu precisei me concentrar na minha primeira jornada solo em Arcturus.
O Templo de Iniciação lentamente surgiu à nossa frente.
Ele era lindo além de todas as palavras terrenas.

Nós nunca fomos levados lá e todos nós estávamos boquiabertos com sua magnificência.
Portas douradas enormes se abriram para nos receber e uma via cintilante de uma substância desconhecida nos mostrou o caminho.
Os pais Arcturianos do meu irmão e irmãs estavam esperando bem na porta.
Eles acenaram para nós entrarmos sem eles.

“Isto é para a sua honra”, eles declararam juntos.

Nós quatro seguimos a via cintilante que levava ao Altar do Um.
Um enorme Ser de Luz sentou-se em um trono e nos chamou para nos aproximarmos.
Nós nos ajoelhamos perante Ele/Ela que colocou um manto de Luz na cabeça de cada um de nós.
Instantaneamente nossas vibrações aceleraram, o salão escureceu e lá fomos nós.

Para onde fomos e o que aprendemos lá não é para ser falado, somente experimentado.
Mas quando nós retornamos, nós estávamos prontos para voltar à Terra e cumprir nossa missão.
Nós aprendemos com nossa jornada que era para abrirmos um portal de ascendência para os Maias que tinham concluído seu serviço e estavam prontos para retornar aos seus vários mundos lar.

O tempo do poder Maia estava terminando.
Parecia que uma vida inteira passara desde que eu vi os invasores em meus sonhos.
Os invasores estavam chegando e tudo estaria perdido, exceto o que estava escondido ou gravado em código.
Era hora de retornarmos.
Muitos preparativos precisavam ser feitos na Terra.

RETORNO À VIDA NO TEMPLO

Quando retornamos à nossa vida no templo, tudo estava diferente.
Nós tínhamos enfrentado toda a nossa escuridão interior e expandido nossa consciência além do alcance de qualquer um dos escuros.
Não mantínhamos nenhuma negatividade em relação a eles, pois tudo tem um propósito.
Cada ciclo na terceira dimensão deve se encerrar e então era a vez de Maia.

Nós nem ignorávamos e nem confrontávamos os escuros porque confrontar a escuridão meramente causa um alinhamento que pode puxar para ela.
Se alguém ousasse interceder com nossos empreendimentos, nós simplesmente elevávamos nossa vibração para além do que ele podia perceber com sua percepção tridimensional.

Finalmente estávamos preparados e a hora estava perto.
Com nossa visão distante, nós podíamos ver os conquistadores navegando em direção de nosso lar Maia.
Pensei em Lenexa e minha mãe adotiva e me perguntei se elas ouviriam o chamado silencioso para retornar ao lar, ao eu superior delas.

Hopenakaniah e eu éramos para abrir o portal e Leatunika e Hegsteomen eram para manter o portal aberto e serem os últimos a viajar por ele.
O trabalho deles era fechar a passagem, tal como o nosso trabalho era abri-lo.

Nenhum de nós falou sobre nosso tempo na cidade com os tridimensionais.
Era o único segredo que já tínhamos mantido.
Eu nunca descobrir como eles tinham viajado para Arcturus ou se eles tiveram um tempo difícil e maravilhoso na cidade como eu tive.
Creio que Hopenakaniah também encontrou o amor, pois havia alguma coisa nela que soava aquele acorde familiar de amor perdido.

Finalmente chegou o dia de nossa cerimônia.
Nós havíamos treinado várias vezes e nos sentíamos confiantes em nossos papéis.
Nós emitimos o chamado silencioso por sete dias e sete noites.
Era o mais alto dos dias de cerimônia, então os escuros não suspeitaram de nossas intenções.
Nós vestimos nossos trajes cerimoniais e nós quatro subimos as treze escadas para o vértice da nossa pirâmide mais sagrada.

Hopenakaniah e eu fomos na frente e Leatunika e Hegsteomen nos seguiram.
A cada escada que subíamos nossa vibração se elevava mais e mais que quando chegamos ao altar, nós mal podíamos ficar ancorados em nossas formas tridimensionais.
Nós sentimos a confusão de muitos dos escuros quando nós desaparecemos na frente de seus olhos.
Entretanto, o orgulho deles não permitia que eles admitissem que não podiam mais nos ver.

Hopenakaniah e eu tínhamos feito amor muitas vezes, mas este era para ser diferente.
Este não era para nós, mas para os despertos de Maia.
Nós começamos nosso ritual enquanto os sacerdotes ao nosso redor entoavam o nome sagrado de nosso Sol – Kein.
A entoação foi ficando mais alta e mais alta enquanto nossas energias espirituais/sexuais subiam por nossa espinha fundindo nossas energias masculina e feminina em uma.

No exato momento que os primeiros raios do sol nascente bateram em nosso altar, nós puxamos todas essas energias para o nosso coração uno e o entregamos a Kein.
Instantaneamente o portal para a quinta dimensão se abriu.
Novamente os quatro se tornaram duas equipes de dois, enquanto Hopenakaniah abria o portal.
Nós ajudamos os muitos que passaram pelo portal enquanto nosso irmão e irmã mantinham-no aberto.

Eu vi muitos rostos familiares do Templo e da minha vida na cidade.
E sim, lá estava Lenexa grávida do meu filho e sua família, que agora incluía minha mãe adotiva.
Quando eles atravessaram o portal, cada um deles soltou sua forma tridimensional e expandiu para seu verdadeiro corpo de luz.

Meu filho com Lenexa tornou-se um pequeno ser de luz que foi mantido perto de sua mãe.
Eu sorri e me conscientizei de que, de fato, Lenexa fora a reencarnação de nossa amada irmã perdida.
Por fim, todos que puderam responder ao chamado silente passaram pelo portal.
Meu irmão e irmã entraram no vórtice e o fecharam atrás deles.
Nós havíamos concluído nossa missão!

Eu lhes passo esta mensagem agora na esperança de que ela estimulará sua recordação, pois a missão que nós concluímos apenas está começando para vocês!


Queridos leitores, eu recebi essa história muitos anos atrás, mas eu nunca senti certo compartilhá-la.
Felizmente a hora de compartilhá-la é agora.

O que vocês sabem há muitos anos, mas não podiam compartilhar até agora?
Por favor, compartilhem...
E obrigada por seu compartilhamento até agora.
Sue.




Tradução: Blog SINTESE http://blogsintese.blogspot.com

segunda-feira, 23 de março de 2015

ABRINDO O PORTAL – PARTE 3

ENCONTRANDO O AMOR
Por Suzanne Lie PhD
Em 17 de março de 2015



Os olhos da bela mulher eram doces e límpidos, e ela olhava diretamente em meu coração.
Eu não pude resistir ao seu olhar e abri a banca novamente.
Ela comprou o que veio comprar e se virou para ir embora.

“Espere”, eu lhe disse.
“Por favor, não vá ainda. Deixe-me fechar e eu a acompanharei até sua casa. Já está escuro e não é seguro para uma mulher tão linda como você.”

“Como sei que será seguro estar com você?” – ela perguntou com um brilho em seus olhos castanhos escuros.

“Por quê? Eu sou da Família Real. Claro que você está segura comigo.”

Fiquei chocado e envergonhado com o que eu disse, mas uma lembrança há tempos esquecida começou a se formar em minha mente.
Era o rosto de outra criança.
Sim, era o rosto de minha irmã, aquela que nós tínhamos liberado.
Eu observei a mulher à minha frente.

Minha irmã se pareceria com ela se pudesse ter sobrevivido às suas explorações dos tridimensionais?
E então, como se um raio tivesse atingido minha mente, eu lembrei.
Eu não me lembrei de tudo, mas a neblina começou a clarear, e eu pude perceber a visão de pureza aguardando nas margens de minha mente.

Olhei para a mulher.
Quanto tempo eu fiquei olhando para o nada em meu devaneio de recordação?
Seu rosto indicava uma ligeira preocupação, mas ela não ridicularizou minhas declarações.

“Então venha, meu Lorde, e veja a minha casa.”
Ela sorriu carinhosamente, quase que como se acreditasse em mim.

Enquanto caminhávamos até sua casa na periferia da cidade, ela contou ligeiramente sua vida.
Sua família acabara de chegar a esta cidade.
Eles eram muito pobres e vieram buscar uma vida melhor.
Sua mãe, seu pai e seus irmãos e irmãs pequenos me cumprimentaram como se eu fosse um amigo que esteve longe por muito tempo.

Foi aí que nós percebemos que não tínhamos dito nossos nomes.
Nós nos sentimos tão confortáveis a partir do momento que começamos a caminhar que as apresentações pareceram desnecessárias.
Seu nome era Lenexa e creio que comecei a amá-la desde esse primeiro dia.

Lenexa começou a me trazer o almoço e ficava para compartilhar nossa refeição.
Ela deixava sua compra para o final do dia e eu a levava para casa.
Se sobrasse alguma coisa na minha banca, eu levava para a família dela.
Claro, eu guardava uma parte para a minha querida mãe adotiva.
Quando minha mãe conheceu Lenexa, ela a abraçou carinhosamente.
Ela sabia que essa mulher era a minha salvadora.

Como minha lembrança começou a voltar, eu contava à Lenexa uma história contínua sobre um personagem mítico que na verdade era eu mesmo.
Ela adorava a história e todo dia ela me pedia mais.
Eu lhe contei tudo exceto, claro, as doutrinas secretas de Maia.
Não demorou muito até fazermos amor.

Era muito diferente de fazer amor com Hopenakaniah.
Com Lenexa, era doce e adorável e ancorava.
Toda vez que tínhamos um orgasmo, nós juntos íamos fundo na terra.
Éramos como duas árvores com nossas raízes descendo profundamente na terra.
Tentei encontrar a erva para que ela não tivesse um filho, mas ela disse que queria ter um bebê meu.

“Mas eu não posso tomá-la como minha esposa. Em breve tenho que partir.”

“Nós nos encontraremos novamente.” – ela sempre respondia.



Meu tempo na cidade estava terminando e para a minha surpresa eu descobri que não queria partir.
Meu amor por Lenexa cresceu de um modo calmo e simples.
Eu amava Hopenakaniah como uma parte de mim, mas eu amava Lenexa como uma árvore amaria suas raízes ou uma planta amaria suas flores.
Como eu poderia deixá-la?

Ela salvou minha vida!
Eu poderia simplesmente abandoná-la?
Mas eu poderia abandonar meu propósito?
Eu não sabia qual era o meu propósito.
Lenexa me ensinou como amar a vida na terceira dimensão e agora eu teria que deixar essa vida provavelmente para sempre.
Eu teria que deixar Lenexa.

Fui ficando cada vez mais distraído.
O nosso ato de amor tornou-se desesperado e muito apaixonado até que uma vez, nós não fomos fundo na terra, mas sim, nos elevamos para os planos superiores tal como eu fazia com Hopenakaniah.
Eu a vi como um anjo com asas e ela me viu como um Deus de outro mundo.
Quando no final nós voltamos à Terra, ela olhou nos meus olhos com sua profunda sabedoria.

“Agora é hora de você partir. Nós nos encontraremos novamente. Vá agora, Amado, enquanto ainda tenho a força para deixá-lo ir.”

Eu tentei ficar, mas ela não me deixou. Literalmente ela me empurrou para longe dela. Percebi que eu estava chorando, tal como ela.

“Vá para casa!” – ela gritou.
“Não me faça dizer de novo.”

Então a minha amada Lenexa se virou e correu para longe de mim.
Todos os músculos do meu corpo queriam segui-la.
Os seis meses haviam terminado há mais de uma semana.
Caminhei lentamente até em casa e dei um beijo de despedida em minha querida mãe adotiva.
Eu tinha algumas moedas que eu havia economizado.

“Dê metade a Lenexa e fique com a outra metade. Por favor, cuide dela como você cuidou de mim. Eu preciso partir.”

Como sempre, minha mãe não me questionou.
Ela entendeu.
Eu me virei e a deixei na pequena cabana que eu passara a amar.

Eu esperei por três longos dias e noites e meus irmãos não se juntaram a mim.
Talvez eles tivessem esquecido como eu esqueci.
Eles podem não ter tido a sorte que eu tive ao encontrar alguém para cuidar deles ou fazê-los lembrar.
Talvez eles até estivessem mortos.

Eu procurei por eles em minha mente como fazíamos quando crianças.
Quando crianças nós fazíamos uma brincadeira como o seu esconde-esconde, mas nós procurávamos com as nossas mentes.
As regras eram que nós somente procuraríamos uns aos outros dentro de nós mesmos.
Nós tínhamos uma chance para ir a um esconderijo e ficamos muito afiados nisso.

Nós conseguíamos encontrar e contatar um ao outro não importava como longe estivéssemos.
Nós começamos essa brincadeira depois que nossa irmã foi liberada.
Que alma valente ela foi.
Foi a visão dela que me fez lembrar.
Eu frequentemente me perguntava se Lenexa era a reencarnação dela.
Se isso fosse verdade, talvez ela pudesse também encontrar os outros e ajudá-los.

Outro dia se passou e nenhum sinal deles ainda.
Talvez eles já tivessem estado lá e ido embora.
Eu mesmo me atrasei.
Mas se eu fosse para o templo sem eles, então eles poderiam ficar aqui me esperando.
Eu estava congelado pela indecisão.
Decidi chamar meu pai Arcturiano e pedir seu conselho.

Por toda a minha vida ele estava lá em pessoa ou em pensamento com a chamada mais simples de minha vida.
Entretanto desta vez foi diferente.
Eu chamei e chamei por ele sem resposta.
O que aconteceu?
Eu baixei tanto minha vibração a ponto de não poder mais me comunicar com minha família?
Eu esqueci como chamá-los?



Talvez essa fosse a razão de eu não poder encontrar meu irmão e irmãs.
Desespero e medo começaram a surgir em mim.
Eu sabia que se eu permitisse as emoções me tomarem, eu nunca seria capaz de alcançar meu pai.
Eu tentei e tentei, mas não havia resposta.
Decidi que eu teria que viajar a Arcturus e encontrá-lo.

Eu sabia que eu teria que meditar por um longo tempo para elevar minha vibração para a sétima oitava e poder viajar para casa em minha mente.
Eu nunca tinha ido a Arcturus sozinho.
Eu sempre fui com o meu pai, ou com Hopenakaniah durante nosso ato sexual.
Eu seria capaz de elevar tanto a minha vibração sem a assistência de outros?

Eu determinei não ponderar essa pergunta, visto que eu somente criaria dúvida e medo.
Eu encontrara um local preferido para meditação na reentrância de uma grande árvore que eu frequentemente utilizava quando vivemos na selva.
Eu esperei a paz e calma me sobrepujarem neste local como sempre acontecia antes, mas não aconteceu.
Minha mente estava fechada.
Meu coração estava vazio.
Eu não meditara por muitos meses e agora eu havia me esquecido de como fazê-lo.

Negatividade, raiva e medo me fecharam para essa parte superior de mim.
Eu tentei e tentei elevar minha vibração, mas não deu certo.
Meus olhos se abriram e o mundo ao meu redor que fora seguro e protegido tornou-se uma selva densa e ameaçadora.

Enfurecido, peguei uma pedra grande e comecei a bater no chão à minha frente.
Começou a se formar um buraco.
Eu bati mais e mais, mais forte e mais forte.
O buraco ficou cada vez maior até que finalmente, em exaustão, encostei-me à árvore e fechei meus olhos.

Então eu vi o mesmo buraco, só que ele estava na minha mente.
Ele estava me chamando para entrar.
Ele era escuro e sinistro, mas ele não saía da minha consciência.
Eu precisava viajar até as profundezas de mim.
Eu tinha que entrar naquele buraco e seguir sua rota tortuosa até o centro da minha mente angustiada.

Muitas imagens e sentimentos da minha vida com os tridimensionais rodopiavam na minha frente e dentro de mim interrompendo minha jornada.
Lembrei-me de que se eu pusesse minha atenção em qualquer uma dessas distrações eu ficaria preso na lama delas.
O buraco feria mais e mais profundamente minha psique e, de fato, minha forma física.

Comecei a perceber que estava viajando para a estrutura celular de minha forma física.
Quanto mais fundo eu viajava, menor tudo ficava.
Eu não era mais tridimensional.
Eu era bidimensional e então eu era uma partícula de uma dimensionalidade.

E então tudo parou.
Eu estava num muro dentro de mim mesmo.
Eu precisava passar por esse muro.
Eu não podia deixar que ele me parasse.
Eu era mais.
Eu sabia que eu era mais.
Com a força de minhas convicções, eu avancei pelo muro e descobri que eu estava no espaço exterior.
Eu vi as estrelas perto de mim.

“EU SOU LUZ!” – eu gritei com exaltação. “EU SOU LUZ E EU SOU DO UM!”



Eu voltei pelo longo buraco espalhando a mensagem para todas as células e átomos meus.

“EU SOU LUZ! EU SOU DO UM!”

Eu deixei essa mensagem em todas as partes do meu ser.
Não existe separação.
Todos nós somos “do Um”.
Nada é muito grande ou muito pequeno.
A escuridão é uma ilusão.
A dor é uma ilusão.
A solidão é uma ilusão.
A SEPARAÇÃO É UMA ILUSÃO!

Concentrei-me em minha respiração e meu coração sentiu a perfeição, o amor incondicional e a unidade com toda vida.
Lentamente eu levei esta consciência expandida para minha cabeça e enviei para baixo um feixe de luz pela minha espinha para me ancorar na Terra.
Eu senti a árvore ao meu redor reverberar com energia amplificada fluindo de minha presença.
Agradeci à árvore por sua proteção antiga.
Mal sabia eu de quanto eu necessitaria dela.

No início esta meditação foi muito parecida às muitas que eu experimentara por toda a minha vida.
O mundo exterior desvaneceu e todas as ilusões da vida e até minha jornada na cidade começaram a se apagar.
Mas então, de repente, eu me encontrei no lugar mais horrível de escuridão que eu já experimentara.

A única coisa que eu podia reconhecer nele era o assassinato que eu testemunhara no meu primeiro dia no mercado.
Fantasmas raivosos e necessitados e desencarnados me puxavam e acenavam para eu ir ao seu covil.
Meu plexo solar ardia e eu me estiquei para agarrar a árvore para me proteger mais, mas o inimigo não estava no físico.
Meu inimigo estava no Plano Astral Inferior, a lata de resíduos psíquicos da vida na terceira dimensão.

Eu nunca tinha experimentado isso, pois sempre estive protegido de qualquer negatividade do mundo físico.
Portanto, eu passara por esta área dos mundos interiores protegido pela minha falta de experiência.
Eu não tinha as experiências em minha vida que poderiam até me fazer reconhecer a possibilidade de um mundo assim.

Agora eu tinha essas experiências e todas elas piscaram perante minha mente de uma só vez, acompanhadas por todo pensamento negativo e emoções desagradáveis que eu experimentara e observara.
Eu comecei a me sentir mal e queria sair desse local horrível.
Entretanto, eu sabia que não podia permitir que o meu medo de ficar preso me fechasse para sempre das dimensões superiores.

Esta experiência deve ter sido a razão por que eles quiseram que nós vivêssemos na cidade.
Nós tínhamos que experimentar essas partes mais escuras de nós a fim de concluirmos nossa missão.
Mas eu nem sabia qual era a minha missão.
Entretanto, ideias de minha missão me trouxeram coragem e eu comecei a batalha contra a escuridão.

Mas ao lutar contra a escuridão, eu descobri que ela era infinita, e que para cada parte dela que eu conquistava, havia mais para substituí-la.
Eu estava perdendo a batalha.
Eu podia sentir-me ficando drenado de minha essência.
A escuridão estava roubando minha luz.

Mas espere!
Eu tinha que me recordar de por que eu não tinha experimentado antes essa escuridão.
Sim, foi porque eu não tinha conhecido a escuridão em minha vida.
Esta escuridão só podia me atacar pela minha própria escuridão interior.



Eu tinha que me recordar de por que
eu não tinha experimentado antes essa escuridão.
Sim, foi porque eu não tinha conhecido a escuridão em minha vida.
Esta escuridão só podia me atacar pela minha própria escuridão interior.

BÊNÇÃOS

Como anda a SUA iniciação? A minha está incrivelmente maravilhosa, então de repente apenas o oposto se resolve mais rapidamente. Mas eu ainda caio na fatiga e no drama subsequente.
Por favor, compartilhe.




Tradução: Blog SINTESE http://blogsintese.blogspot.com

sábado, 21 de março de 2015

ABRINDO O PORTAL – PARTE 2

NOSSAS INICIAÇÕES
Por Suzanne Lie PhD
Em 15 de março de 2015



Era o AGORA para as nossas iniciações começarem.
Apesar de nunca termos muita interação com a sociedade de Maia, era a Terra de nossas Mães.
Nossos pais Arcturianos deram dicas sobre o nosso “destino”, mas não respondiam a quaisquer perguntas que fazíamos a eles.

“Vocês devem encontrar as respostas dentro de vocês”, eles sempre diziam.

Nessa época nossos pais vinham com muita frequência e nos levavam a Vênus, a Arcturus e/ou à Nave Mãe.
Eles nos mostraram como curvar o tempo e espaço e encontrar os Portais pelos quais nós podíamos viajar.
Nós não éramos mais crianças em uma aventura, mas pilotos interdimensionais em treinamento.
Às vezes fazíamos nossa jornada em um veículo e às vezes fazíamos a jornada em nossas mentes.

Fazer a jornada em nossas mentes era muito difícil porque nós tínhamos que elevar nossa faixa vibratória para a sétima dimensão a fim de viajar sem um veículo.
Apenas Hopenakaniah e eu podíamos fazê-lo sem a assistência de nossos pais.
Esta foi a primeira vez que apresentamos uma diferenciação entre nós e isso nos preocupou muito.

“Não tenham medo”, disse meu pai Arcturiano.
“Há velocistas que correm muito, muito rápido, mas eles não podem correr por um longo período de tempo. E há outros que não conseguem correr tão rápido, mas eles têm grande resistência e podem manter um ritmo constante para uma distância longa. Tutenakqua e Hopenakaniah são os velocistas. Hegsteomen e Leatunika são os corredores de longa distância. Tudo é como deveria ser. Vocês quatro são uma equipe, como sempre.”

As palavras de meu pai nos confortaram, mas nossa equipe de quatro gradualmente se transformou em duas equipes de dois.
Os velocistas e os corredores tinham lições diferentes.
E aí havia o sexo.
Embora o sexo tivesse sido explicado para nós enquanto crianças, nós realmente não o entendíamos.
Mas naquele momento, ele se tornou uma necessidade, uma fome.
Novamente eram as duas equipes de dois, mas não havia rivalidade ou ciúmes.

Como de costume, Sackatikeneon foi o primeiro a notar.
Nós quatro estávamos com ele e, como de costume, ele falou por enigmas.

“Alguns alimentos são para serem consumidos todos os dias do modo mais casual e necessário. Entretanto, outros alimentos são ferramentas poderosas e somente devem ser consumidos em ritual.”

Embora ele estivesse acima da vibração de uma necessidade sexual, ele entendia que nossas mães eram tridimensionais e nós herdaríamos as necessidades delas.
Ele nos mostrou como poderíamos usar nossa sexualidade para elevar nossa vibração e viajar juntos acima do tempo e espaço em nossos orgasmos mútuos.

“O presente não é um brinquedo!” – ele nos avisou.
“Há grande poder neste tipo de ato sexual e pode baixar sua vibração tão facilmente como pode elevá-la.”

Nosso dormitório para quatro foi mudado para dois quartos de dois com dois tapetes de dormir ao invés de quatro.
As irmãs sorviam uma bebida especial toda manhã para que não criássemos uma criança.

“Vocês quatro criarão algo muito mais necessário do que outro bebê Maia para ser morto pelos invasores”.

As palavras de Suckatukeneon nos tornaram sóbrios.
Nós sempre tivemos privilégios especiais porque tínhamos uma responsabilidade especial.
Não podíamos fugir dela!
Ao nos tornamos sexuais, as coisas começaram a mudar para nós.
Nossos mestres nos permitiram a liberdade e o prazer de sermos “adultos” sexuais por três ciclos da lua.
Então nós fomos convocados, de repente, para uma reunião com nossos três Sacerdotes pai, nossos pais Arcturianos, Sackatukeneon e nossas duas mães cuidadoras.

“Agora é o tempo de sua iniciação final.”
Sackatukeneon estava falando para a nossa surpresa.
“Vejo que vocês estão surpresos por eu falar para o grupo reunido à sua frente,” Sackatukeneon continuou.
“Sou em quem fala porque eu os conheço bem e porque fui eu quem iniciou e desenvolveu o processo inteiro de seus nascimentos. Eu me apresentei a vocês como um criado porque eu sou um criado para as suas necessidades e porque ‘o primeiro deve ser o último’.”

“Os Escuros não devem saber quem eu sou e eu lhes mostrei que esse poder é algo para ter e não algo para demonstrar. Não mantive um segredo de vocês. Se algum de vocês me perguntasse quem eu era eu lhes teria dito. Entretanto, eu me apresentei a vocês como um criado humilde e vocês nunca me inquiriram por que eu podia ter todos os poderes que tenho lhes mostrado e ensinado.”

“Tem sido minha responsabilidade ensinar-lhes a lição mais importante que vocês precisarão para passar com sucesso pela iniciação que está à sua frente. O poder é mais seguro de uma forma simples. Se vocês puderem manter seu poder lá no fundo de vocês sem a necessidade de reconhecimento ou adulação dos outros, seu poder permanecerá incorruptível.”

“Vocês têm visto como os Escuros renunciam ser poderosos a fim de parecerem poderosos. Isto se dá porque, ao invés de serem governados por eles mesmos, eles são governados pelos outros. Porque eles precisam dos outros para reconhecê-los, eles precisam também reunir seu poder a partir dos outros. Eles distorceram as lições de nossa pátria, Arcturus.”

“Esses desorientados baixaram sua vibração para buscar aclamação e foram incapazes de elevá-la novamente. Assim que vocês precisam de alguma coisa fora de si, vocês perdem a conexão aos seus maiores poderes que estão dentro de VOCÊS. É importante que vocês aprendam essa lição agora. Para a sua iniciação vocês irão à própria comunidade da qual nós os protegemos sua vida inteira. Nós sabemos que vocês estão preparados porque todos vocês passaram pelo desafio da sexualidade.”

Todos nós juntos perguntamos o que ele queria dizer com aquela declaração.

“Quando alguém se torna um ser sexual, ele/ela dá ignição à força criativa. Essa força criativa pode subir pela espinha para os chakras superiores para ser canalizada para o serviço da Luz ou ela pode permanecer no eu animal. Os animais na selva usam a sexualidade deles de uma maneira instintiva e, portanto, obedecem às leis da criação. Entretanto, o homem, com seus pensamentos e emoções descontrolados, pode usar o sexo como uma ferramenta de conquista de outra pessoa.”

“As pessoas podem usar o sexo de uma maneira desrespeitosa ou até cruel. Elas também podem cobiçar o parceiro de outro simplesmente porque desejam o que elas não têm. Vocês, minhas crianças, não caíram nessa escuridão. Vocês compartilharam sua natureza sexual para elevar sua consciência ou para brincar e apreciar a essência um do outro. Por nenhuma vez qualquer um de vocês cobiçou alguém mais além de sua parceira. Estamos muito orgulhosos de vocês por isso e os elogiamos por sua mestria.”

E então todos os nossos mentores vieram até cada um de nós e nos deram um pequeno presente para a nossa jornada ao mundo tridimensional.
Cada um deles nos deu uma mensagem especial e um abraço carinhoso.
Todos nós estávamos chorando de alegria.
Foi um momento lindo que sempre viverá em nossas Almas.

“Agora é hora de ir”, Sackatukeneon disse.

“Mas por que temos que fazer uma jornada para aquela terra?” – nós perguntamos juntos.

“Parte de sua iniciação é responder essa pergunta por vocês mesmos”, foi a resposta dele.

FAZENDO O TRABALHO

Nós saímos do nosso santuário tão inocentes como as crianças.
Disseram-nos para manter em segredo a nossa identidade a todo custo.
Então fomos levados vendados como se não pudéssemos ver com nossa visão interior para a selva que cercava a cidade dos tridimensionais.

“Fiquem inicialmente na selva”, eles avisaram.
“Vocês acharão muito mais fácil lidar com ela do que com a cidade.”

Antes de podermos dizer uma palavra eles se afastaram de nós como fantasmas.
Nós quatro ficamos juntos na selva a noite inteira e no dia seguinte.
Os sons e visões eram aterrorizantes.
Nós viajamos a mundos e planetas distantes, mas nos assustamos na selva, embora ela nos tenha cercado nossas vidas inteiras.

No final, nossos estômagos nos forçaram a aventurar pela selva em busca de comida.
Nós descobrimos que não podíamos matar nenhum ser vivente, mas a selva era rica em frutos e raízes.
Nós rapidamente aprendemos a usar nossos instintos altamente desenvolvidos para determinar o que era comestível e o que era venenoso.

Nós comemos escassamente cada alimento até termos certeza de que nossos instintos estavam corretos.
Nós decidimos que passaríamos juntos seis ciclos lunares na selva e então nos aventuraríamos separados na cidade pelas seis luas finais de nossa iniciação.

Nós fomos instruídos que, a fim de cumprir nosso destino, nós teríamos que experienciar a vida na terceira dimensão e agora nós estávamos fazendo isso.
O tempo na selva foi lindo.
Nós quatro trabalhamos como um.
Nós construímos um abrigo na área densamente florestada e usamos nossas habilidades para camuflar nossa casa e meditar à noite para elevar a vibração de nossa área a fim de criar segurança e invisibilidade para criaturas da escuridão.

Nós fomos capazes de rapidamente estabelecer contato com as fadas, gnomos, duendes e outras pessoinhas de nossa área.
Eles eram nossos amigos e nos ensinaram como sobreviver na selva.
Deste modo nós vivemos a vida a que estávamos acostumados com nossa vibração abrangendo principalmente a quarta dimensão, mas também a terceira.
Todo dia nós treinávamos mudar nossa vibração exclusivamente para a terceira dimensão para nos prepararmos para o nosso tempo na cidade.

Para nosso medo e lamento, chegou o dia em que tínhamos que nos aventurar sozinhos na cidade, encarando as vibrações de muitas, muitas pessoas e também o fluxo dos inúmeros pensamentos e sentimentos delas.
A preparação não tinha sido suficiente para mim.
Eu estava na cidade por poucos dias quando fiquei violentamente doente por causa dos pensamentos e sentimentos dissonantes daqueles que estavam ao meu redor.

Eu não conhecia ninguém, não tinha comida ou abrigo, e estava experienciando doença pela primeira vez em minha vida.
Eu queria desesperadamente emitir uma chamada telepática para meus irmãos e irmãs, mas nós havíamos concordado que experimentaríamos sozinhos essa última parte de nossa iniciação.
Finalmente, no terceiro dia de minha doença, quando eu havia apenas comido e bebido o que eu pude roubar, uma mulher idosa me encontrou enrolado num nicho no fim de uma ruela.
Ela pareceu me reconhecer e me levou para sua casa que ficava perto.

Eu não me lembro do que aconteceu nos dias seguintes.
Creio que eu delirei.
A velha senhora cuidou de mim e me manteve em sua casa.
Ela disse aos vizinhos que eu era um primo distante de outra cidade que havia aparecido inesperadamente na porta dela e que eu de repente fiquei doente.
Nós fomos deixados em paz.

Eu não sei o que disse a ela enquanto estive doente, mas eu pude ver em seus olhos quando eu finalmente me recuperei que ela sabia mais de mim do que podia me lembrar de ter contado a ela.
Ela nunca me questionou ou me limitou de forma alguma.
Um dia ela me disse que esteve esperando por mim por muitos anos.
Ela não explicaria nada mais.
Esta casa serviu como minha base pelo resto do meu tempo na cidade, e esta velha senhora amorosa serviu como uma mãe para mim.

Quando finalmente me recuperei, minha primeira tarefa foi aprender a me proteger das emanações dos outros.
Passei minha vida inteira aprendendo a ser aberto e empático.
Minha vida foi totalmente abrigada e eu era exposto somente àqueles que dominavam seus pensamentos e sentimentos.

Agora eu estava num mar de turbulência psíquica e tinha que aprender a me proteger se fosse para sobreviver.
Gradualmente, eu me expus mais e mais para a cidade ao meu redor até que, no final, eu podia me proteger o suficiente para encontrar um trabalho.
Minha mãe recém-descoberta me dissera que as pessoas tinham que trabalhar aqui para conseguir alimento.
Esta foi uma das muitas vezes que eu senti que ela sabia sobre mim.
Mas nós fizemos um acordo sem palavras de não discutir sua vida privada ou a minha.

No primeiro dia do meu trabalho como ambulante no mercado, eu vi um assassinato.
Eu nunca experimentara nem o conceito de assassinato.
Portanto, quando eu vi um homem matar outro por causa de alguma posse pequena, fiquei chocado.
Eu vi a força vital do homem morto pairando sobre o local da morte de seu corpo por muitos dias.

Outros passavam por essa essência e nem sabiam que ela estava ali.
Eu estava determinado a não me comunicar com ela, pois minha habilidade recentemente descoberta de proteção psíquica não estava perfeita, e eu não ousava liberar minha blindagem psíquica.
E também, o fantasma estava muito bravo e vingativo.
Eu não podia arriscar minha missão por causa de um desencarnado raivoso.

As seis luas se arrastaram pelo que pareceu uma vida inteira.
Eu me encontrei tendo pensamentos e sentimentos que eu nem sequer sabia que existiam.
Medo, raiva, tristeza, solidão, negatividade e confusão lotavam meu coração e mente.
Foi se tornando crescentemente difícil determinar se essas experiências eram minhas ou de alguém mais.

Minha blindagem psíquica foi ficando mais fina e mais fina até que ela pareceu não existir.
Eu ganhei peso porque comer tornou-se um modo de eu me distrair do que estava acontecendo ao meu redor e dentro de mim.
Meu corpo teve outras mudanças também.
Ele parecia mais denso e mais lento.
Eu não tinha mais a mestria sobre ele que eu tinha no lar abrigado de minha infância.
E o pior, eu comecei a me esquecer de quem eu era.

Toda manhã eu acordava mais e mais desassociado do meu verdadeiro eu e mais enraizado na pequena pessoa que labutava o dia todo no mercado.
Eu via uma preocupação crescente no rosto de minha nova mãe.
Ela falava constantemente de como ela me encontrou, como se fosse para manter minha memória viva.
Uma manhã, quando ela estava tentando me lembrar de quem eu era, eu joguei uma caneca pelo nosso pequeno alojamento, por pouco não atingindo a querida mulher.

“Eu não sei do que você precisa que eu seja!”
Eu gritei em fúria e confusão.

Ela calmamente pegou a caneca, encheu-a de novo e a pôs na minha frente.
“Meu querido rapaz, eu somente desejo que você se lembre de quem você é.”

Suas palavras me atordoaram como um tapa na cara.
Lembrar-me de quem sou?
Lembrar-me de quem sou?
Sim, havia uma razão para eu estar ali.
Mas qual era?
Eu mal podia pensar sobre poucos dias atrás e até esses dias eram nebulosos como se eu estivesse drogado.
Vocês pensariam que eu devia agradecer a essa mulher gentil, não é?
Mas eu simplesmente me levantei e saí pisando duro de nossa casa como uma criança com raiva.

O dia todo no meu trabalho eu dificilmente pude me concentrar.
Visões de templos, cavernas e o rosto de três crianças rodopiavam em minha cabeça.
Sim, eu tinha que lembrar.
Mas eu não podia.
As imagens que eu via em minha cabeça não tinham conexão à pessoa que eu tinha me tornado.

Eu passei o dia na mais profunda agitação.
Finalmente, era hora de fechar minha banca quando uma linda jovem veio comprar frutas comigo.
“Estou fechado.” Eu gritei para ela como se ela fosse uma pedinte.


PERGUNTAS E COMENTÁRIOS
Do que você se recorda como uma iniciação importante?
Qual é sua “missão/trabalho”?
Você já se esqueceu de sua Missão?
Como você se lembrou dela?

Seria ótimo se você desejar responder nos comentário, pois nós NÃO estamos sozinhos. Para cada um de nós que encontra a coragem de compartilhar seu processo há alguns ou muitos que se inspiram a compartilhar sua experiência também.
Obrigada a todos vocês!
Sue.




Tradução: Blog SINTESE http://blogsintese.blogspot.com